APROPRIAÇÃO DO ESPAÇO COM O CORPO
PARKOUR
Criado na década de 90 por David Belle e colegas, foi inspirado nos feitos heróicos do seu pai Raymond Belle – um guerreiro socorrista na guerra do Vietnã e herói do corpo de bombeiros de elite de Paris. Seu treinamento visava não apenas o desenvolvimento físico, mas também a formação do caráter de forma a preparar o guerreiro para ser forte para ser útil (Georges Hébert). Parkour é um treino de transposição de obstáculos do seu ambiente, como escalar muros, equilibrar em corrimãos, ou saltar sobre vãos. Porém, mais do que isso, é a incessante busca pelo desenvolvimento da autonomia de nosso corpo e mente sobre os desafios do cotidiano. É também uma forma de desenvolver as capacidades físicas das crianças, de redescobrir o vigor que os adultos acreditavam ter perdido, e proporcionar uma grande satisfação emocional e melhoras nos mais diversos aspectos da vida.
A experiência do parkour não pode ser explicada, deve ser vivida. Seja ao subir um muro alto pela primeira vez, fazer um salto de precisão, de aprender uma técnica nova ou desafiar os amigos para repetir 100 vezes aquele salto perfeito. Qualquer um pode praticar, independente do tamanho do muro que você consegue subir ou o quão longe pode saltar. O desafio está nos pequenos obstáculos para serem superados, na sua capacidade de enxergar o desafio nos detalhes. Basta ter vontade de superar seus obstáculos, não importa sua idade, gênero ou condição física.
DERIVA
A Teoria da deriva é da autoria do pensador situacionista Guy Debord. Foi criada em 1958 e publicada, em esboço, na Revista Internacional Situacionista. Desde então vários investigadores, de meios académicos ou não, têm desenvolvido estudos urbanos simples ou aprofundados sobre o tema em dissertações e teses. Muitas pessoas que hoje estudam geografia urbana recorrem à deriva como forma de pesquisa e de praxis política.
A deriva é um procedimento psicogeográfico: estudar os efeitos do ambiente urbano no estado psíquico e emocional das pessoas que a praticam. Partindo de um determinado lugar, a pessoa ou grupo que se lança à deriva seguirá uma rota indefinida, deixando que o próprio meio urbano 'os leve' ao acaso, pelo caminho que segue.
Consiste em um tipo de movimento rápido e ininterrupto pelo ambiente onde não é feita previamente a escolha da trajetória. Nessa estratégia o que determina o caminho feito é o instinto sensorial individual.
Quem deriva terá no entanto todo o interesse em traçar um mapa do seu percurso. Esse mapa ilustrará anotações que servirão para compreender os motivos que o leva a seguir este ou aquele caminho: virando à direita ou à esquerda e não seguindo em frente, parar em certa praça e não em outra, perceber em suma por que razão a mente induz sensações agradáveis ou desagradáveis.
Tem a teoria em vista transformar o urbanismo, a arquitetura e a cidade. Na prática, consiste em construir ou reconstruir um espaço em que todos os habitantes são agentes construtores e em que a cidade é vista como um todo.
Estas ideias, formuladas pela Internacional Situacionista entre as décadas de 1950 e 1970, consideram que o meio urbano em que vivemos é motivador da deriva, tornando a cidade um espaço de liberdade.
FLANEUR
O termo flâneur vem do francês e tem o significado de "vagabundo", "vadio", " preguiçoso", que por sua vez vem do verbo francês flâner, que significa "para passear". Charles Baudelaire desenvolveu um significado para flâneur de "uma pessoa que anda pela cidade a fim de experimentá-la". Devido à duração da utilização e teorização por Baudelaire e inúmeros pensadores em termos econômicos, culturais, literários e históricos, a idéia do flâneur tem acumulado importante significado como uma referência para compreender fenômenos urbanos e a modernidade. Walter Benjamin descreve o flâneur como um produto da vida moderna e da Revolução Industrial, sem precedentes, um paralelo com o advento do turismo. Benjamin se tornou o seu próprio exemplo, observou o social e estético durante longas caminhadas por Paris.
A percepção do flanêur parece se dar diante daquilo que é transitório na cidade, mas ele não simplesmente lamenta-se a respeito da transitoriedade, ele se alimenta dela, ele formula uma espécie de abrigo no ventre da caótica urbanidade – bem entendido, caótica para os citadinos, não para os gerenciadores políticos da nova ordem social – tecendo uma narrativa dos atrativos da cidade, numa espécie de reconhecimento do apelo erótico das coisas e das pessoas no contexto dos desencontros modernos.
O flanêur atende, inicialmente, a uma necessidade individual burguesa de sobrepor-se à aristocracia e irá tornar-se um instrumento das próprias massas, devido ao protagonismo das mesmas no gênero inaugurado pelo observador da cidade.
ROLEZINHOS
Um espectro ronda os shoppings centers – o espectro do rolezinho. Com a paródia da frase inicial do Manifesto Comunista de Karl Marx e Friedrich Engels, de 1848, inúmeras imagens correram as redes sociais pretendendo satirizar as reações a um fenômeno social da juventude que vem ocorrendo em São Paulo e que se propagou para várias cidades do país: os chamados rolezinhos.
A gíria não é nova. “Dar um rolê” ou “dar um rolezinho” são expressões já comuns em vários espaços urbanos e expressam a prática de passear pela cidade, divertir-se. A diferença dos atuais rolezinhos é que eles estão sendo programados a partir de redes sociais, reunindo centenas (ou milhares) de jovens e dirigindo-se aos shoppings centers. Os rolezinhos começaram a ser chamados por MCs após surgir um projeto de lei na Câmara dos Vereadores de São Paulo que pretendia proibir a realização de bailes funk na cidade. O projeto foi vetado pelo prefeito Fernando Haddad, mas os rolezinhos não pararam por aí.
A maioria desses jovens vive nas periferias das cidades. Ao chegarem aos centros comerciais, eles passeiam pelos corredores e praças de alimentação, paqueram, tiram fotos, cantam e executam alguns “passinhos” utilizados nos bailes funk.
A maioria veste-se com roupas de grifes famosas, seguindo um padrão comportamental difundido ultimamente nos centros urbanos paulistas ligado ao chamado “funk ostentação”. Essa derivação do gênero musical expressa em suas letras e nas vestimentas de MCs, dançarinos e demais participantes a intenção do consumo crescente: falando de dinheiro, carros, aquisição de diversos tipos de mercadorias de uso pessoal, fazendo apologia a marcas famosas e enfatizando a sexualidade de mulheres e homens.
Entretanto, o fenômeno não vem sendo tratado apenas através dos mecanismos econômicos do capitalismo. Do mesmo modo que ocorreu com as manifestações de junho de 2013, a repressão policial aos rolezinhos – e agora também das administrações dos shoppings centers, com sua polícia privada – fez com que o fenômeno tomasse um âmbito bem maior que o inicial, passando a ser um assunto nacional. A preocupação dos administradores está ligada ao fato de os “rolezinhos” possuírem uma grande “potencialidade” de se transformarem em “arrastões”, resultando em furtos aos lojistas dos centros comerciais.
Além disso, os administradores desses estabelecimentos argumentam que os rolezinhos colocam em risco a segurança de trabalhadores, lojistas e clientes que frequentam esses locais. Com esses argumentos, alguns shoppings centers conseguiram liminares judiciais para impedir a realização dos rolezinhos, sendo possível a aplicação de multa aos que infringirem a decisão judicial.
Por outro lado, os rolezinhos levantaram um debate intrínseco à estrutura social brasileira, que é a discriminação social e racial. Os jovens pobres das periferias — negros, em sua maior parte — estão sendo impedidos de entrarem coletivamente nos templos de consumo em que se transformaram os shoppings centers. A crítica é que as administrações dos shoppings, com o apoio policial, estão segregando e discriminando social e racialmente esse setor da sociedade brasileira, reproduzindo, dessa forma, o racismo que sempre esteve presente na história do Brasil.
Fonte
FLASH MOB
Flash Mobs são aglomerações instantâneas de pessoas em um local público para realizar determinada ação inusitada previamente combinada, estas se dispersando tão rapidamente quanto se reuniram. A expressão geralmente se aplica a reuniões organizadas através de e-mails ou meios de comunicação social.
O uso do termo flash mob data de aproximadamente 1800, porém não da maneira como o conhecemos hoje. O termo foi usado para descrever um grupo de prisioneiras da Tasmânia baseado no termo flash language para o jargão que estas prisioneiras utilizavam. Ainda nesta época o termo australiano flash mob foi usado para designar um segmento da sociedade, e não um evento, não demonstrando nenhuma outra similaridade com o termo moderno ou os eventos descritos por ele. Assim damos os fatos sem fala e sim por atos.
SKATEBOARDING (IAIN BORDEN)
Skateboarding (Iain Borden) é a utilização do skate como apropriação do espaço. Normalmente, é feita por jovens em lugares sejam permitidas ou não o uso desse meio de locomoção. Nesse movimento, esse grupo utiliza elementos que já existem na área urbana para servirem como obstáculos para saltos, superfícies para deslizamento e realização de manobras.

Comentários
Postar um comentário